Ah o tempo…

E parece que o tempo voa, literalmente!

Sempre achei que esse fosse o maior ou um dos maiores clichês da maternidade, e talvez seja, mas é verdade.

(todo mês) A gente se depara com um bebe crescendo e crescendo sem pedir licença, sem avisar o que vai vir pela frente, eles simplesmente crescem e nem sempre sua conta bancaria cresce junto, mas os pequenos grandes bebês exigem sempre mais cuidados, mais gastos, mais tudo! Não que isso seja ruim, faz parte do desenvolvimento.

E realmente parece que foi ontem que sai com um bebe tão pequeno nos braços, não é exagero, pra quem não é mãe realmente deve ficar ate meio cansativo ouvir isso  TODA vez: “Parece que foi ontem que meu bebezinho saiu do meu ventre e eu o amamentei pela primeira vez”.

Mas ao mesmo tempo essa sensação de primeira vez acontece todos os dias, pelo menos pra mim, seja quando Maria Clara faz uma gracinha nova, ou aprende uma palavra, ou o simples fato dela prestar tanta atenção em tudo e tentar repetir os gestos, as palavras, as atitudes: tudo!

Isso é lindo, aliás, tudo é lindo, desde gerar uma vida até trazê-la ao mundo e depois sofrer.

Se eu for listar todas as emoções que tive desde que nasci como  Mãe, eu selecionaria: alegria, dor – do parto, do seio ficando mais ‘forte’ pra amamentar, da cicatriz meio ‘adormecida’ da cesárea pelo resto da vida, dor no bolso quando a primeira conta chega-, medo – por ter alguém frágil e dependente de você e só de você, medo de seguir em frente, medo de não ser mais quem era antes-, gratidão – pelos meus pais, pela vida, por ser mulher-,  etc.

Quando escolhi ser mãe eu sabia que aquilo “era uma cilada, Bino!” (voz da intuição), muita gente relata a maternidade, mas poucas pessoas relatam a forma dela inteira as imperfeiçoes, a vontade de desistir, de ‘pedir pra descer’, de querer chamar a MINHA mãe…

Ser mãe me abriu os olhos para algumas coisas na vida e me fez dar valor em outras que antes eu nem sabia que poderia ser tão legais, tipo: eu ouvi sempre aquela frase que “você só dá valor a seus pais quando você tem filho” e com a maternidade eu não só  entendi o que isso significa como compreendi a imensidão de duvidas, angustias, medos, alegria e sacrifício que meus pais fazem e fizeram por mim, eu entendi que por mais que minha filha seja uma pentelha eu vou amar e amar sempre e mais, cada dia mais! Aprendi  a olhar meus pais de outra maneira – mais dócil, mais humana, mais compreensiva – entendi muita coisa que achava ‘injusto’ ou balela.

Aprendi que o tempo não espera, ele passa, simplesmente vai. O tempo é a oportunidade que temos em viver a vida intensamente e amar muito, praticar amor, fazer amor, multiplicar. Não há nada pior do que sentar pra refletir e ver tantas oportunidades perdidas, perdida por medo do ‘se’ e não há nada melhor do que ver um filho crescer, é como se um filme passasse na minha cabeça desde o dia que dei entrada na maternidade, peguei no colo um bebê tão pequeno, tão rosa, que só babava em mim e voltava leite materno azedo e que de repente sentou, engatinhou, andou, falou, escreveu (pequenos rabiscos por enquanto) e está aqui, linda forte, saudável, esperta e me enchendo de orgulho!

Um filho é a maneira mais fácil de uma pessoa entender os picos emocionais que um ser humano pode sentir: raiva, amor, alegria, orgulho, tolerância, remorso, ansiedade, adrenalina, e por ai vai.

Sim! Voce vai ficar com raiva do seu filho quando ele cuspir na sua cara, ou quando não deixar você dormir durante umas 7 noites seguidas, você vai sentir raiva de você mesma por simplesmente deixar de pensar em você e voltar com 300 sacolas de coisas para os filhos  e nada mais, quando o objetivo for comprar as coisas para a ceia de natal.

Daí que ninguém conta que você vai querer um minuto de paz e tranquilidade longe do seu ‘anjinho’ depois de abrir mão de voltar para o mercado de trabalho e se dedicar exclusivamente ao bebê. Acho que alguém se esqueceu de contar que, mesmo mãe, você continua sendo um ser humano, não?

A maternidade não é cor de rosa (mesmo quando se tem uma princesinha, como eu tenho), não são só flores, maternidade tem muita coisa envolvida: famílias, opiniões e valores, marido e mulher, educação e um novo ser, que não tem culpa de nada, que não sabe “de nada” mas que ensina MUITO mais do que você aprendeu a vida inteira!

Ser mae me deu oportunidade de ser uma pessoa melhor, de entender que eu erro e que não há problema algum nisso. Me deu motivos de querer seguir em frente, fez brotar em mim a vontade de me casar, de ficar junto com a minha família e ter orgulho disso tudo que estamos construindo juntos!

Ser pai/mãe é mais do que tentar parto normal, é mais do que amamentar, é mais do que ter condições financeiras aceitáveis, ser pai/mãe é abrir mão de você mesmo, é o gesto mais altruísta e egoísta simultaneamente que uma pessoa pode ter! É ter medo de morrer, é ter sede de viver e de estar bem, é mudar os hábitos boêmios por uma  vida mais tranquila e caseira, é você ter saudade de quando não tinha filhos e poucas responsabilidades, mas ao ver seu filho ao seu lado, pensar: como eu pude viver sem isso por tanto tempo?

Tau 149

Maternidade, O dia mais importante das nossas vidas: o dia que conheci Maria Clara

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Teste de paciência.

Eis que Maria Clara me apronta no supermercado.

Estávamos felizes fazendo compra por que como fomos pra cidade da família do marido não tinha absolutamente NADA em casa.

Maria Clara tem mania de querer empurrar o carrinho do supermercado, só que não rola dela ficar empurrando quando estamos só eu e ela, quando o pai está junto ele fica andando com ela e eu correndo atrás, literalmente, pra enfiar as coisas dentro do carrinho porque a MC não curte ficar parada, tem que ser com o bendito em movimento se não ela surta.

E foi isso que aconteceu hoje: surto histérico ou a primeira birra. Com direito a plateia e tudo mais me encarando como se ela fosse uma aberração.

Ela estava com sono, então eu tentei ter mais paciência ainda. Pois bem, tudo começou quando ela quase caiu da  cadeira do carrinho, então eu saquei q ela queria empurrar e pensei: – Ah, beleza ela empurra e fica quietinha, vai ser lindo. Só que não foi na primeira parada pra pegar creme de cebola ela ficou brava e saiu andando como se não houvesse amanhã. Eu tive vontade de deixar ela ir embora pra tomar um susto mas como ela é pequena  fiquei com medo de perder a menina de vista, ela ser sequestrada, minha bolsa ser roubada enquanto eu corria atrás dela, enfim. Maluca, eu?

Meu bom senso não permitiu deixa-la sozinha então fui atrás, peguei ela pela mão e trouxe de volta pra perto de mim, só que ela não curtiu, não mesmo! Ai começou  berreiro e eu calmamente olhando pra ela disse que entendia que ela estava com sono e que queria ir embora, que  entendia que ela estava nervosa mas que ela não precisava fazer isso.

Não adiantou NADA, parecia que eu estava conversando com uma vaca ruminando, uó. Mas continuei e disse que quando ela ficasse mais calma a gente conversava e… NADA. Todo mundo olhando e eu ali parada, meio que ignorando sem olhar pra cara dela, ela lá nervosa e chorando, eu estava numa mistura de “quero largar tudo e ir embora” com “você não vai parar com isso? Já Tô ficando com raiva”. Mas enfim, eu sabia q hora ou outra ela iria parar.

Ate que chegou um senhor de meia idade, grandão, com voz grossa, chega perto dela e diz: – não chora neném, não fica brava não.

Maria Clara estática, com medo e coração disparado, gruda em mim, pula no meu colo, chupa o dedo e encosta a cabeça no meu ombro.  E eu penso: – moço por que você não apareceu antes pra tocar o terror nela? HAHA.

Por fim, consegui, alias o rapaz consegui, fazer com que ela se acalmasse e eu pudesse conversar com ela, o que de imediato não deu efeito algum mas eu sei que esses acessos de raiva dela são fases, testes, é um desafio pra ela e pra mim , pra  ver até onde eu aguento.

Ela já deu alguns acessos, mas em casa, alguns eu perdi a paciência e respirei fundo pra não perder minha razão. Não sou de ferro  e também estou aprendendo a ser mae.

Hoje eu vi que preciso manter o controle, pra ser exemplo pra ela, principalmente, por que, se um dia eu recusar alguma coisa à ela ou o contrario nós resolveremos no dialogo. Mas ate hoje esse foi um dos testes mais punk que tive que passar, não é nada fácil segurar a barra com um monte de gente olhando, esperando o que você vai fazer ou deixar de fazer.

E não me venham com um: – Ah, mas você é mãezinha jovem não sabe de nada, vai ver quando ela tiver X idade.

Ok, eu posso não acertar sempre, mas eu entendo que minha filha irá aprender através do exemplo, mesmo por que uma criança menor de, sei lá, 6 anos , não presta atenção em um monologo por mais de 2 ou 3 minutos! Pasmem.

Palestra de motivação ou bronca homérica com bebês não rola MESMO.

E eu vou seguindo, ensinando e aprendendo todos os dias…

Tem como brigar com uma coisa dessas?