Não trabalho fora, sou menos mãe?

NÃO! Hoje em dia, há inúmeros protestos, passeatas, movimentos, e afins de mulheres querendo se libertar ou simplesmente escolher seu próprio caminho.

Mas se digo que sou mãe e não tenho  emprego fora de casa sou tachada de Amélia, frustrada, coitada, traída e outras coisas piores.

Eu trabalhava, aí virei mãe, saí do emprego, me formei na faculdade com um bebe recém-nascido em casa e…Não voltei a trabalhar fora.

Não que eu não tenha tentado, muito pelo contrario, passei muito tempo focada em trabalhar e exercer a profissão, mas não deu!

Não rolou por inúmeros motivos:

Escolas de educação infantil e berçário extremamente caro!

Passar tempo integral longe da minha filha – eu queria trabalhar meio período, afinal queria estar presente nessas fases tão importantes dos primeiros anos dela e não saber de tudo através de bilhetes ou da professora.

Não deu, por que muitas pessoas me diziam pra simplesmente desistir de trabalhar tendo um bebe em casa, cheguei ate a ser chamada em vários lugares, mas ao comentar que tinha filha as pessoas diziam que o trabalho deveria ser prioridade e que se minha filha ficasse doente eu não poderia faltar no trabalho pois seria falta de comprometimento – oi?!

Não deu por vários outros pontos, coisas pessoais e tal, mas na verdade acho que eu mesma bloqueei isso.

Parei pra analisar todos os ‘nãos’ que não foram poucos e em tudo que ouvia: “será que esta valendo a pena eu correr atrás disso? A minha felicidade e da minha filha dependem de um emprego que pague a escola dela e outras poucas coisas, um emprego que eu fique 8, 9 horas longe dela?”.

Tudo que minha filha fizer nesses anos iniciais, ela só fará agora! Eu não, tudo que eu fizesse nesses 2 anos eu posso muito bem fazer ano que vem, no outro, ou quando eu estiver preparada e ela também!

EU estava me cobrando e me sentindo culpada e frustrada por não conseguir. Poxa, eu queria curtir minha filha, queria cuidar dela, não do filho dos outros, queria aproveitar tudo isso!

PRA QUÊ vou colocar minha delicinha num berçário com outras 15 crianças e só ver a pequena uma meia horinha do fim do dia, afinal né, ela já vem ‘jantada’, de banho tomado e com sono: perfeito pra mães que não querem criar vínculos. Hunf.

Podemos tudo, inclusive respeitar uns aos outros!!!

NÃO estou generalizando, eu sei que muitas pessoas precisam trabalhar e não tem a opção da escolha ficar ou não com o filho em tempo integral. Eu entendo!

Mas o que eu vejo e muito por ai, são mães querendo terceirizar o filho simplesmente por vaidade! Por não querer parar de trabalhar e se achar menor por não sair todos os dias pro emprego.

Quantas e quantas vezes já li relatos de mães que publicam textos dizendo ‘como escolher a melhor escolinha’. Gente, a escolha da ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL, vai além dos tópicos:

Dá janta? Dá banho? Brinca bastante? Fica numa sala com 3 auxiliares o dia todo? Chega em casa e dorme?

Há inúmeros fatores que influenciam numa boa escola de educação infantil, a escolha da instituição não é mole!

Tem que identificar a pedagogia usada, espaço verde e aberto, rotina alimentar, atividades propostas desde o berçário ate os 5 anos de idade, etc.

Mas a proposta desse post/desabafo não é essa.

O que eu quero mesmo dizer é que eu, como mulher, ainda me sinto muito julgada, sofro muito preconceito de ‘mães modernas’ por não trabalhar. Mas espera ai, eu trabalho sim! Sou mãe em tempo integral, pago contas, vou ao banco, supermercado, brinco com minha filha, cuido da alimentação de toda família e da limpeza da casa, entre outros servicinhos extra. Eu não trabalho? Certeza?

Eu, como muitas outras mães que escolheram ou não ficar em casa não são menos mãe por isso, são dignas de respeito, amor, admiração, orgulho e tudo mais!

O que eu quero com esse desabafo não é julgar as mães que se sentem bem em sair pra trabalhar, longe disso! Eu não sou Amélia, também gostou de ter meu dinheiro, de poder sair da rotina da casa. O que eu quero mesmo e ser respeitada pela minha escolha!

Vamos combinar assim: eu não generalizo e não julgo e mantemos uma linha de admiração e respeito mútuo, certo mamães?!

Cada um tem sua cultura, seus costumes, sua rotina. O que é bom pra mim pode não ser pra você e vice versa.

Todas as guerreiras que saem todos os dias pro trabalho, engolem sapos de patrão e clientes, todas aquelas que sofrem em ficar longe dos filhos, aquelas que se sentem bem e vaidosas em fazer isso, vocês tem meu respeito e admiração!

Beijos!

 

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