Pré adaptação

Maria Clara  vive num ritmo de férias desde que nasceu, alias. Ela tem os horários, a rotina, mas não vai à escola ainda e eu não trabalho fora, quem já leu o blog já sabe.Então naturalmente a atenção é toda voltada pra ela, os horários seguidos conforme as necessidades dela e eu sempre a disposição.

Mas esse ano ela vai começar a ter uma vida social digamos mais… Agitada, Vai começar a escola em fevereiro e eu pretendo voltar a trabalhar fora assim que passar o período de adaptação total dela na creche.

O fato é que estou aproveitando ela ao máximo, só no grude, um ritmo de férias literalmente! Mas ao mesmo tempo estamos tentando mudar a rotina e certos horários pra facilitar esse ingresso na escola.

Como eu trabalho com isso, tenho uma certa experiência em horários, alimentação, atividades  , acaba ficando mais fácil saber como serão as coisas na creche e tecnicamente mais fácil acostumar a mc e prever  as possíveis dificuldades iniciais que ela pode ter por ser tão diferente a rotina de casa com a rotina da escola.

Eu já participei de algumas adaptações de crianças, que como ela, passou boa parte do tempo em casa com os pais até ir pra escola, e se os horários e rotina são muito diferentes de casa e na creche a probabilidade da criança demorar mais pra adaptar são grandes, por isso estou TENTANDO mudar algumas coisas em casa. (com aquela fé materna de que “TEM QUE DAR CERTO” , pra minimizar qualquer tipo de trauma ou sofrimento pra mim e pra ela).

Uma das coisas que me deixou um pouco preocupada é o fato dela não aceitar comer carne, nem moída, nem picada, desfiada, em pedaço, nem pra “chupar” o caldinho ela não queria. Mas comecei uma adaptação com isso também, pra ela sofrer menos pra acostumar com a comida da creche (que é melhor que a minha, então acho que ela nem vai estranhar muito).

Primeiro comecei batendo a carne com feijão pra ver se o que ela não gostava era a textura, gosto etc. ou se era só preguiça de mastigar mesmo. Comeu bem, ai vi que ela aceita, mas tem preguiça, então fui introduzindo aos poucos junto com salada de tomate, que ela ama, comecei com carne de frango que é mais molinha e ela comeu! Fiquei feliz, ela só comeu meio filé, mas comeu.

Depois foi a vez da carne vermelha, fomos devagar, misturando no arroz beeem picadinha junto com tomate ou milho e também aceitou bem!

No ano novo ela comeu seu primeiro ‘churrasco’, foi lindo ver ela comendo/chupando o primeiro pedaço ‘grande’ de carne.

Passei a chamar a mc pra participar do preparo, ver a “carninha” sendo temperada, deixava ela mexer a panela e assim ela foi criando intimidade rsrs.

Ela ainda não come muito, mas pra quem só cuspia assim que sentia a carne pra mastigar, já é um grande passo!

Estamos indo devagar e ao tempo dela, como deve ser, e será assim na adaptação na creche e em qualquer outra coisa que ela quiser. Quero que minha filha saiba que estaremos sempre aqui pra quando precisar e respeitar o fato dela ser um individuo a parte de mim, que tem medos, gostos, preferências, etc.

Sim, eu sei que todo esse processo da carne é obvio pra muita gente e que eu deveria ter feito antes, mas sabe aquela coisa de “tá bom assim”? Então, eu não ligava em fazer um suflê separado, uma salada de folha verde-escura, cozinhar feijão com espinafre  ou substituir a proteína da carne com outros alimentos, mas eu sou a mãe, na escola não tem essa, e eu quero facilitar ao máximo o processo todo, afinal nunca é tarde né? rsrs.

Agora o próximo passo é acostumar a acordar mais cedo, já que ela acorda por volta das 9:30 e na creche o horário de entrada é as 7:00, fora que almoço e jantar é mais cedo do que o de costume em casa…

Não quero transformar a nossa rotina em uma rotina escolar, só quero diminuir ou não forçar a mudar totalmente os hábitos dela de uma hora pra outra. Ela nunca teve férias, rotina de atividades, socialização, divisão, enfim.

Parece bobo, mas algumas mudanças na rotina da casa são importantes para esse processo todo. Tem gente que não liga muito, acha que a “escolinha” não interfere no futuro, mas interfere sim! Tudo que for feito agora, vai fazer parte da memoria emocional, desenvolvimento cognitivo, afetivo, dos nossos filhos.

A educação infantil é a base do ser humano que a gente quer formar, é como praticar desde cedo a alimentação saudável, deixar de repreender com violência e sim com dialogo, fazer nossos filhos entenderem que podemos ou devemos nos comunicar de forma mais gentil, harmoniosa, com o próximo e com nós mesmos, ou seja, tudo que praticarmos, ensinarmos e principalmente mostramos através do exemplo se tornará um hábito .

Ensinar e criar nossos filhos com amor, carinho, compreensão, é muito importante, afinal, eles são a esperança do futuro, literalmente! São bebês ou crianças, mas sentem e são um ser em formação, não podemos esquecer disso nunca!

E com vocês como foi a adaptação na creche ou escola, foi tranquilo?

Beijos!

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Ah o tempo…

E parece que o tempo voa, literalmente!

Sempre achei que esse fosse o maior ou um dos maiores clichês da maternidade, e talvez seja, mas é verdade.

(todo mês) A gente se depara com um bebe crescendo e crescendo sem pedir licença, sem avisar o que vai vir pela frente, eles simplesmente crescem e nem sempre sua conta bancaria cresce junto, mas os pequenos grandes bebês exigem sempre mais cuidados, mais gastos, mais tudo! Não que isso seja ruim, faz parte do desenvolvimento.

E realmente parece que foi ontem que sai com um bebe tão pequeno nos braços, não é exagero, pra quem não é mãe realmente deve ficar ate meio cansativo ouvir isso  TODA vez: “Parece que foi ontem que meu bebezinho saiu do meu ventre e eu o amamentei pela primeira vez”.

Mas ao mesmo tempo essa sensação de primeira vez acontece todos os dias, pelo menos pra mim, seja quando Maria Clara faz uma gracinha nova, ou aprende uma palavra, ou o simples fato dela prestar tanta atenção em tudo e tentar repetir os gestos, as palavras, as atitudes: tudo!

Isso é lindo, aliás, tudo é lindo, desde gerar uma vida até trazê-la ao mundo e depois sofrer.

Se eu for listar todas as emoções que tive desde que nasci como  Mãe, eu selecionaria: alegria, dor – do parto, do seio ficando mais ‘forte’ pra amamentar, da cicatriz meio ‘adormecida’ da cesárea pelo resto da vida, dor no bolso quando a primeira conta chega-, medo – por ter alguém frágil e dependente de você e só de você, medo de seguir em frente, medo de não ser mais quem era antes-, gratidão – pelos meus pais, pela vida, por ser mulher-,  etc.

Quando escolhi ser mãe eu sabia que aquilo “era uma cilada, Bino!” (voz da intuição), muita gente relata a maternidade, mas poucas pessoas relatam a forma dela inteira as imperfeiçoes, a vontade de desistir, de ‘pedir pra descer’, de querer chamar a MINHA mãe…

Ser mãe me abriu os olhos para algumas coisas na vida e me fez dar valor em outras que antes eu nem sabia que poderia ser tão legais, tipo: eu ouvi sempre aquela frase que “você só dá valor a seus pais quando você tem filho” e com a maternidade eu não só  entendi o que isso significa como compreendi a imensidão de duvidas, angustias, medos, alegria e sacrifício que meus pais fazem e fizeram por mim, eu entendi que por mais que minha filha seja uma pentelha eu vou amar e amar sempre e mais, cada dia mais! Aprendi  a olhar meus pais de outra maneira – mais dócil, mais humana, mais compreensiva – entendi muita coisa que achava ‘injusto’ ou balela.

Aprendi que o tempo não espera, ele passa, simplesmente vai. O tempo é a oportunidade que temos em viver a vida intensamente e amar muito, praticar amor, fazer amor, multiplicar. Não há nada pior do que sentar pra refletir e ver tantas oportunidades perdidas, perdida por medo do ‘se’ e não há nada melhor do que ver um filho crescer, é como se um filme passasse na minha cabeça desde o dia que dei entrada na maternidade, peguei no colo um bebê tão pequeno, tão rosa, que só babava em mim e voltava leite materno azedo e que de repente sentou, engatinhou, andou, falou, escreveu (pequenos rabiscos por enquanto) e está aqui, linda forte, saudável, esperta e me enchendo de orgulho!

Um filho é a maneira mais fácil de uma pessoa entender os picos emocionais que um ser humano pode sentir: raiva, amor, alegria, orgulho, tolerância, remorso, ansiedade, adrenalina, e por ai vai.

Sim! Voce vai ficar com raiva do seu filho quando ele cuspir na sua cara, ou quando não deixar você dormir durante umas 7 noites seguidas, você vai sentir raiva de você mesma por simplesmente deixar de pensar em você e voltar com 300 sacolas de coisas para os filhos  e nada mais, quando o objetivo for comprar as coisas para a ceia de natal.

Daí que ninguém conta que você vai querer um minuto de paz e tranquilidade longe do seu ‘anjinho’ depois de abrir mão de voltar para o mercado de trabalho e se dedicar exclusivamente ao bebê. Acho que alguém se esqueceu de contar que, mesmo mãe, você continua sendo um ser humano, não?

A maternidade não é cor de rosa (mesmo quando se tem uma princesinha, como eu tenho), não são só flores, maternidade tem muita coisa envolvida: famílias, opiniões e valores, marido e mulher, educação e um novo ser, que não tem culpa de nada, que não sabe “de nada” mas que ensina MUITO mais do que você aprendeu a vida inteira!

Ser mae me deu oportunidade de ser uma pessoa melhor, de entender que eu erro e que não há problema algum nisso. Me deu motivos de querer seguir em frente, fez brotar em mim a vontade de me casar, de ficar junto com a minha família e ter orgulho disso tudo que estamos construindo juntos!

Ser pai/mãe é mais do que tentar parto normal, é mais do que amamentar, é mais do que ter condições financeiras aceitáveis, ser pai/mãe é abrir mão de você mesmo, é o gesto mais altruísta e egoísta simultaneamente que uma pessoa pode ter! É ter medo de morrer, é ter sede de viver e de estar bem, é mudar os hábitos boêmios por uma  vida mais tranquila e caseira, é você ter saudade de quando não tinha filhos e poucas responsabilidades, mas ao ver seu filho ao seu lado, pensar: como eu pude viver sem isso por tanto tempo?

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Maternidade, O dia mais importante das nossas vidas: o dia que conheci Maria Clara

Ho Ho Ho

Natal nunca foi um problema ou uma grande questão pra mim, mas  eu resolvi casar com um economista -que por natureza é chato, muito chato-  e que quando criança não foi estimulado a acreditar nessa coisa toda de Papai Noel ou Father Christmas,  Santa Claus, Sinterklaas ou São Nicolau, como queiram.

Sim. Eu fui fazer uma breve pesquisa, não me aprofundei no tema, fiz uma pesquisa rápida, jogando no nosso amigo “gugou”: “Papai Noel: Pagão ou cristão” ou “A verdadeira historia do Papai Noel”.

Essa coisa toda de natal embolada com a religião e o consumo exagerado de comida, brinquedos, e as grandes festas me deixaram ‘encafifada’, ainda mais quando eu, que achei que seria super natural e eu nem precisaria esquentar minha cabeça com aquela pergunta: ‘Estimular ou não a pequena crer no Papai Noel?’.

Conversa vai, pesquisas vem, eu consegui fazer um acordo com o pai da Maria Clara – VIVA! É a gente vai contar a tal “verdadeira historia” do Papai Noel, mas com um quê infantil, tipo assim:

“Papai Noel era um senhor que gostava de ajudar as crianças pobres que não tinham nem o que comer então ele viajava pela cidade e deixava um saquinho com moedas para a família de a criança poder comer ou mesmo comprar um presente para os filhos que foram bonzinhos. e depois de muitos anos, as pessoas boas continuavam com essa tradição e o mundo todo passou a dar presentes para as crianças boazinhas como um ‘premio’ por ter sido educadas e obedientes.”

Tem também aquela outra lenda que o Papai Noel era um homem mau que maltratava as pessoas e que foi ensinado por uma criança a amar ao próximo e com isso começou a presentear as crianças. Com o tempo a família desse homem continuou a tradição perpetuando por tanto tempo e até hoje.

Claro que toda historia contada PARA criança não precisa ser exatamente assim, cheia de detalhes, datas, nomes. Um dia se ela me perguntar se ele realmente existe eu vou responder: “- O que você acha?” papai Noel independente de data certa, nome engraçado, o bispo jogando a moeda, a  roupa inventada pela marca de refrigerante, o lugar onde ele mora ou mesmo se ele é de carne e osso, não interessa! O que interessa mesmo é ver a alegria nos olhos das crianças acreditando com a fé que só elas têm. E que mau tem isso tudo? Pra mim ele existe – e olha que eu não ganho presente em baixo da arvore faz um tempo – eu acredito na essência, na fantasia, na esperança, a ansiedade que tomam conta dos corações com um pouquinho de amor e fé.

Eu e marido chegamos a esse acordo todo com muita conversa e a ajuda das minhas amigas do ‘face’ que me contaram como fazem com seus pequenos, aproveito pra agradecer mais uma vez a todas elas, mas decidimos que não vamos falar nada dessa coisa de duende que ajuda papai Noel, nem que ele mora no Polo Norte, ela por si só vai imaginar tudo isso, combinamos simplesmente de dizer SE ela perguntar como os brinquedos chegam até ela, que nós temos um acordo com o papai Noel, damos o dim dim pra ele ou o próprio brinquedo e depois ele entrega, pode ser com rena ou sem rena afinal eu acho um pecado deixar o Rudolph de lado. As cartas estarão liberadas também, mas sem ser endereçado diretamente ao Polo Norte.

No mais, a lenda continua e se depender de nós a Maria Clara vai ser mais uma “criança feliz a cantar seu sonho infantil”.

Aviso: Quero deixar bem claro que não sou contra catolicismo, nem Jesus, nem nada do tipo! Respeito TODAS as formas de contar ou não a historia do Natal adequada a cada família e como tudo nessa vida há divergências, opiniões, crenças e preferências. Não sou contra nada disso, ok? O blog é pessoal, bem como as opiniões e atitudes que eu escolho tomar na educação da Maria Clara. Certo?

Mas vocês tem que concordar que fica estranho falar pra uma criança que o bom velhinho não existe, já que TODO shopping, loja, centro da cidade e o caramba tem um bendito dum velho coitado cozinhando dentro de uma roupa horrorosa vermelha deixando todas as crianças contarem seus pedidos a ele, então não rola falar que aquilo tudo é um jogo de marketing pra fazer os pais comprarem presentes e gastar rios de dinheiro com isso, afinal são crianças , né?

E sabe o que mais? Eu acho que a gente deveria aprender com elas, por que você acha MESMO que as crianças querem só o presente? Eu vou te responder: NÃO ELAS NÃO QUEREM, na verdade elas estão cagando pro presente, quem impõe isso somos nós, adultos chatos e vazios que acham que as coisas materiais vão suprir ausência de carinho, amor ou simplesmente TEMPO para as pessoas que amamos.

E lembrem-se: consumo consciente, chega de tanto brinquedo! Vamos nos reunir e falar bem das pessoas chega de julgar, falar mal, querer o mal, semear coisas ruins.

Avante Papai Noel! Cantemos ao piscar das luzinhas e feliz ano novo pra todo mundo!!!!

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*Filha, você vai ler tudo isso um dia, ou pelo menos eu espero que sim, e se lá no fundo do seu coração você crê que ele existe, então ele existirá pra sempre em você!

Papai Noel não é só aquele que dá o presente, mas a magia que traz consigo junto a esperança inevitável que todos nutrem para o próximo ano, a vontade de fazer melhor, de ser bom… Independente da lenda, do mito, da historia pagã ou da religiosa, o significado disso tudo é tão imenso que é triste te impedir de imaginar! Depois você escolhe o que fará ou se vai continuar acreditando, mas lembre-se: eu e papai nunca mentimos ou te enganamos e se quer saber? Ele existe pra mim SIM! 🙂

 

 

Ah! Eu separei uns links pra vocês, se quiserem quer ler mais sobre isso tudo, as lendas de São Nicolau, a origem da roupa que era verde e ficou vermelha por um ‘protesto’ de um cartunista alemão e disseminada pela Coca-Cola ou a origem de Rudolph e as outras renas, onde papai Noel mora ou as historias e lendas pagãs e religiosas: (é so clicar nos nomes das matérias que o link vai direto)

Revista Época:Papai Noel pagão ou cristão?

História doMundo A origem do Papai Noel

A boa e velha , mas as vezes não muito confiavel: Wikipedia

Mundo Notícias : A verdadeira história

Se quiser escrever para o bom velhinho, ó:

Santa Claus

FIN-96930 Arctic Circle

Rovaniemi – Finlândia

Filhos, mudanças, gastos e os pontos positivos

 

Que filhos nos fazem gastar todos sabem.

Eles fazem um rombo na conta corrente e se por acaso tenha alguma poupança, diga adeus a sua viagem pra Disney, agora você passará a investir em fraldas hipoalérgicas, nos melhores lenços umedecidos e nas mamadeiras antigases. Combinado?

Junto com os filhos vem também cabelos brancos, excesso ou perda de peso que pode variar de acordo com a herança genética ou sua sorte , vem a indignação com certas reportagens chocantes da televisão, o engajamento politico pra poder deixar um futuro melhor ou menos pior como muita gente já anda dizendo.

Para ter um filho, tem que ter muita coragem, pensar racionalmente, trabalhar bastante pra dar uma educação legal, não basta só pagar a escola mais cara, o dinheiro vai, além disso, não basta só ter filho tem que criar, educar, alimentar, vestir, e isso tudo custa caro SIM!

Mas, e quem não pensa? Quem não pesquisa, não planeja, não programa, não deseja ter um filho, mas o destino se encarrega de enviar pela Dona Cegonha um bebe pra um casal estabanado?

Estabanado ou não, maluco ou não, NORMAL ou não, quando se tem um filho a coisa muda.

Ter filho é um ato de amor e coragem, quando esse não é planejado, aquele momento de abrir o envelope e ver a sentença é marcante pra qualquer um que não o queira. É uma mistura de orgulho por ser capaz de gerar a vida, medo de perder a juventude, aflição, pavor, alegria, é um ‘gelo’ infinito na barriga.

Digo que é um ato de coragem, porque, não é fácil e ninguém disse que seria, criar um filho. É uma atitude que escolhemos por nos, pelo companheiro, pelo ser que esta se formando. E o ato de amor é autoexplicativo, né?

Falando como mãe, eu posso afirmar com conhecimento de causa que querendo ou não desse momento em diante você será outra pessoa, e é ai que entra o que eu realmente queria dizer e estou enrolando ate agora nem sei por quê.

A vida muda, mas não muda só pra pior. Muita gente só destaca o lado ruim: os gastos, a falta de cumplicidade entre os pais, os saltos de crescimento onde o bebe fofo fica chato do nada, a adolescência dos dois anos, as cólicas, as noites mal dormidas, o desgaste do relacionamento, as baladas e drinks cada vez mais raros e sua vida acabando.

Mas não é só isso, logico que um pouco disso tudo é verdade, mas tem coisas que só acontecem se a gente deixar.

O desenvolvimento do bebê é coisa séria e é muito importante saber o que esperar, já que essas coisinhas fofas, choronas e babonas não vêm com manual. Mas o que muita gente faz é dramatizar de mais, ao invés de buscar informação com pediatra, vai buscar com a vizinha fofoqueira e barraqueira, em sites sem nenhuma fonte confiável, etc.

Bebes não vem com manual, mas toda mãe têm instinto, TODA mãe têm, sem exceção de classe social, cor ou religião. Claro que isso não quer dizer que, assim que aquele pacotinho lindo chorar você imediatamente saberá o que fazer, nem quando seu bebe bonzinho armar AQUELE escândalo no supermercado, você agirá como a super nanny que existe ai dentro. NÃO. Ninguém é tão robô assim, mães também explodem, tem sentimentos e tpm – óóó!

Sua vida vai mudar, você não vai mais ficar indiferente aos acidentes protagonizados por pessoas alcoolizadas no volante, não tem como não ficar vulnerável diante de noticias diárias de bebes doentes ou abandonados, me diz como não se revoltar contra o sistema? Ter vontade de mudar o mundo diante de tantas falcatruas políticas? É impossível não pensar que tudo isso faz parte da vivência que seu filho esta trazendo consigo, este mundo louco precisa mesmo continuar tão materialista, consumista, apressado…

A mulher que antes se importava tanto com roupa da moda, não ligava em beber refrigerante e não deixava de ir uma semana se quer no salão de beleza, trocará com certeza tudo isso por uma tarde no parque com seu filho, trocará seus melhores anos da juventude pra poder aproveitar mais tempo aquele momento lindo quando conheceu seu amor maior.

Quando a gente se torna mãe, o mundo muda junto, as coisas pequenas perdem importância. Pra que ficar esquentando a cabeça com o que os outros pensam de mim se enquanto isso eu posso lutar por uma causa? Seja por um parto digno, a consciência ecológica e sustentável ou mostrar pra todo mundo os políticos ficha suja pra não serem eleitos e estragarem mais ainda o futuro do nosso bem maior.

A vida antes de ter um filho é tão distante, parece que minha vida começou assim que Maria Clara nasceu, e de certa forma ate pode ser, afinal eu nasci como mãe.

Já cansei de dizer aqui, não tem porque esconder, eu não planejei minha filha, senti todos os sentimentos possíveis desde pavor à extrema alegria quando descobri que seria mãe. Quero dizer pra ela tudo isso, ela com certeza saberá que não foi planejada, mas é e sempre será amada por nós.

Somos  companheiros, cumplices, somos marido e mulher, e os melhores pais que ela pode ter, somos os melhores pra ela, assim como ela é a melhor pra nós.

Ter um filho não tem só lados ruins, pontos negativos, ter um filho transformou o mundo pra mim, eu tenho um pouco mais de esperança desde que ela veio pra nós.

Talvez se eu tivesse pensado muito, pesquisado de mais e me preocupasse tanto no ‘depois’ eu não viveria com tanta intensidade essa aventura maravilhosa.

Com certeza seria tudo diferente, mas acredito que tudo tem hora certa, e essa era nossa hora, o momento dela vir pra nós e não poderia ser melhor.

E pra vocês como foi? Como é ser mãe/pai?

 

Quando tudo começou.

 

Para eu mesma no passado.

De conselho ninguém gosta, dicas só de pedir opinião e a experiência, é muito chato se for compartilhada daquele jeito: “eu sei mais do que você, você é jovem e não sabe nada”. Muito sem graça isso né?

No ano em que Maria Clara nasceu, O Boticario lançou aquela propaganda “onde quer que você chegue, chegue linda” e com ela veio o video com aquela carta “Para eu mesma no futuro”.

Confesso que sempre tive essa ideia, de escrever pra eu mesma, poder comparar as expectativas, ver o que mudou, o que continuou igual, as perdas e ganhos, enfim.

Dia desses estive pensando, e  se eu pudesse escrever uma carta para eu mesma para ser entregue no passado. Confuso? É , era mais fácil aqui dentro da minha cabeça esse meu emaranhado de ideias, mas vou tentar explicar, eu disse tentar!

Bom, a minha ideia genial – ou não – é:E se eu soubesse das coisas que aprendi nesse 1 ano e  6 meses, desde que a minha princesa chegou, antes de tudo acontecer. Como eu lidaria com as coisas? Quais seriam meus conselhos para eu mesma? O que eu deixaria de lado? O que daria mais ou menos importância?

Acho que a carta sairia mais ou menos assim:

Olá jovem, maluca e desesperada nova MAMÃE. Pois é, agora você será mãe, e provavelmente só vai se sentir assim quando tiver em seus braços um ser tão pequeno e perfeito que você mesma gerou.

As coisas serão bem agitadas para você, ou para mim, como queira. Só sei que de agora em diante você será responsável por uma pessoa! É você quem vai gerar e cuidar pra que tudo saia como o programado, é você quem vai sentir as dores do parto, quem vai ser responsável por alimentar o bebê, que por sinal é uma menina!

(Acho que essa carta facilitaria um pouco as coisas, já que descobrimos que o bebe é uma menina somente aos 6 meses!).

Jogo duro viu! Nessa nova etapa nada vai ser fácil, mas vai ser bom, isso eu garanto. Pode parecer assustador, mas estamos nos dando muito bem aqui no futuro.

Os meus conselhos? Tenho vários!

Não se apresse e curta sua barriga, desde o começo da gestação, curta e seja feliz com esse novo titulo: MÃE. De agora em diante você vai ser conhecida como A mãe da Maria Clara, essa é sua identidade a partir de agora.

Tudo em você vai mudar, seu corpo, seus hormônios estarão a mil, você vai virar uma manteiga derretida a ponto de chorar em comercial de arroz.

Apesar de parecer assustador, nesse momento da sua vida você vai descobrir quem esta do seu lado e vai receber apoio de muita gente que você ama! Fica tranquila que a tempestade passará!

O bebe vai nascer através de uma cesariana, mas você pode encarar isso melhor do que eu – isso esta começando a ficar confuso!

A amamentação simplesmente perfeita! Os seios racham, o bebe e você estão aprendendo ainda, mas tenha calma! Tem tanto leite que dá orgulho, é o alimento do seu bebe é a melhor coisa pra você e  pra ela! Tente encarar as mamadas de um jeito mais leve e não de ouvidos aos médicos que dirão pra você parar de amamentar porque seu bebe ganha pouco peso, o seu bebe é único e saudável! Não se deixe levar e siga em frente com a amamentação exclusiva! Tente aumentar o período, mas se não der, ok. A bebê teve um desmame natural e tranquilo, então : nada com que se preocupar!

Leve a vida mais leve! Não precisa se estressar tanto com o seu TCC, com a faculdade, com o trabalho, com as contas. Tudo isso vai chegar e vai passar.

Não deixe de cuidar da sua filha! Abrace e a beije muito! E desde já acredite, você será SIM capaz de amar alguém de um jeito que você nunca imaginou!

SIM você conseguirá ser mãe, não a melhor, mas a mãe perfeita para o seu nenê.

Mas na verdade o que eu quero mesmo é dizer Parabéns, você agora é mamãe e vai descobrir seu lado mais feliz!

Com amor, eu mesma – ou você. 🙂

Seria engraçado receber algo assim.

Mas na real eu prefiro as coisas como são, saber o que vai acontecer no futuro não deixa as coisas fluírem de verdade.

E a graça maior são as curvas que nossa vida dá, as lombadas e paradas. Mas tudo sempre vale a pena! TUDO.

Eu faria tanta coisa diferente, mas será que eu seria a mesma mãe?

Prefiro deixar como está e continuar escrevendo essas coisas sem sentido que tanto me fazem bem.

Será que no futuro veremos isso? Espero que sim.

Espero que a minha próxima carta do futuro seja boa, com bons frutos e alegrias!

E vocês? Escreveriam para vocês no passado?